Circulação Arterial Basal
Anastomose arterial em anel localizada no espaço subaracnóideo da cisterna basal, vital para a compensação e redistribuição do fluxo sanguíneo cerebral.
Anastomose arterial em anel localizada no espaço subaracnóideo da cisterna basal e da fossa interpeduncular, na face inferior do diencéfalo [1]. Circunda o quiasma óptico anteriormente, o túber cinéreo e o infundíbulo hipofisário na sua porção central, e os corpos mamilares posteriormente [2]. Situa-se entre a superfície inferior do encéfalo e a sela túrcica, delimitado superiormente pela substância perfurada anterior e inferiormente pelo dorso da sela e pelas apófises clinóides posteriores [1,3]. Em imagem axial, é identificado ao nível do pedúnculo cerebral e da bifurcação da artéria carótida interna supraclinóide. É formado pela convergência da circulação anterior (carótida interna bilateral) e da circulação posterior (sistema vertebrobasilar), conectadas pelas artérias comunicantes anterior e posteriores [1,2].
Dimensões: Artéria carótida interna supraclinóide (C6–C7): 3,0–5,0 mm. ACA–A1: 1,5–2,5 mm.
—ACoA: 0,5–3,0 mm (altamente variável). ACM–M1: 2,6–4,0 mm [4].
—ACoP: 0,5–2,5 mm (quando presente). ACP–P1: 1,5–2,5 mm.
—Artéria basilar: 2,5–4,5 mm [4,5].
—Nota crítica: o polígono completo e simétrico com todos os segmentos visíveis ocorre em apenas ~18–20% dos indivíduos na angio-RM [4].
ACI supraclinóide — segmentos C6 (oftálmica) e C7 (comunicante)
Porção terminal da artéria carótida interna após emergir do seio cavernoso, perfurando a dura-máter ao nível do processo clinóide anterior [1,2]. O segmento C6 emite as artérias oftálmica e hipofisária superior; o segmento C7 emite a artéria coroideia anterior e a ACoP antes de bifurcar-se em ACA e ACM [1]. Em angiografia por subtração digital (ASD), esta nomenclatura segue o sistema de Bouthillier et al.
Função: Ponto de entrada da circulação anterior no polígono; supre o território carotídeo anterior ipsilateral e conecta-se à circulação posterior via ACoP. Sítio de aneurismas paraclinóides (segmento C6) e da junção ACI–ACoP (segmento C7).
ACA — Segmento A1 (pré-comunicante)
Desde a bifurcação da ACI até a junção com a artéria comunicante anterior (ACoA) [1]. Percorre medialmente sobre o nervo óptico, passando inferiormente à substância perfurada anterior [2]. Emite as artérias perfurantes lenticuloestriadas mediais, incluindo a artéria recorrente de Heubner (que pode originar-se em A1 ou A2) [1,3]. A hipoplasia ou aplasia unilateral do A1 ocorre em até ~10% dos indivíduos e é o principal fator predisponente para aneurismas da ACoA, pois impõe fluxo assimétrico e turbulência hemodinâmica no ponto de junção [4,7].
Função: Conduz fluxo da ACI à ACoA; ramos perfurantes suprem a cabeça do núcleo caudado, o braço anterior da cápsula interna e o putâmen anterior ipsilateral.
ACoA — Artéria comunicante anterior
Vaso curto (1–8 mm de comprimento) que une os dois segmentos A1 na linha média, passando anteriormente ao quiasma óptico [1,2]. É o sítio de aneurisma intracraniano sacular mais frequente em séries cirúrgicas e de autópsia, especialmente quando há assimetria dos segmentos A1 [7]. Pode apresentar duplicação, fenestração ou estar ausente em variantes extremas do desenvolvimento [4].
Função: Anastomose crítica entre as duas circulações carotídeas; principal rota de compensação contralateral em estenose ou oclusão unilateral da ACI. Ramos perfurantes para o hipotálamo anterior e a porção basal do lobo frontal.
ACM — Segmento M1 (esfenoidal/horizontal)
Da bifurcação da ACI até o sulco lateral (fissura de Sylvius), percorrendo horizontalmente na cisterna da fissura lateral [1]. Emite as artérias lenticuloestriadas laterais — os 'end arteries' dos gânglios da base e da cápsula interna, sem anastomoses eficientes [2,3]. A bifurcação precoce (antes do sulco lateral) ocorre em ~50% dos indivíduos e pode ser confundida com estenose proximal ou aneurisma na angio-RM [1].
Função: Principal supridora do lobo temporal, ínsula, giro angular, cápsula interna e núcleos da base; território de AVC isquêmico mais frequente na prática clínica.
ACoP — Artéria comunicante posterior
Origina-se da ACI supraclinóide (C7) e anastomosa-se com o segmento P1 da ACP, percorrendo paralelamente ao nervo oculomotor (NC III) no espaço interpeduncular [1,2]. Emite as artérias perfurantes talamoperfurantes anteriores e a artéria do quiasma óptico [1]. A compressão do NC III por aneurisma da ACoP em crescimento ou roto é sinal clínico de alarme (pupila fixa e midriática, ptose, oftalmoplegia) — a ACoP aneurismática é a causa mais comum de paralisia isolada do NC III por aneurisma [7]. Hipoplasia ou ausência da ACoP é a variante do polígono mais frequente (~30–50% unilateral) [4].
Função: Anastomose entre a circulação carotídea e a vertebrobasilar; perfurantes suprem o tálamo anterior, o hipotálamo posterior e os pedúnculos cerebrais.
ACP — Segmento P1 (pré-comunicante / peduncular)
Da bifurcação da artéria basilar até a junção com a ACoP, contornando ventralmente o pedúnculo cerebral [1,3]. Emite as artérias talamoperfurantes posteriores (fundamentais para o tálamo e o mesencéfalo dorsal) e a artéria coroideia posterior medial [1]. Quando o calibre do P1 é inferior ao da ACoP ipsilateral, a ACP recebe fluxo predominante da ACI — configurando a variante de 'ACP fetal' [4].
Função: Supre o tálamo posterior, o mesencéfalo, o plexo coroide do terceiro ventrículo e, via segmento P2, o córtex occipital (cálcaro) e o lobo temporal medial.
Artéria basilar — Porção terminal ('topo da basilar')
Segmento terminal da artéria basilar, entre a emergência das artérias cerebelares superiores (ACAS) e a bifurcação em ACPs [1,2]. Situa-se na cisterna interpeduncular, anterior ao mesencéfalo e posterior ao dorso da sela [1]. Suas artérias perfurantes para o mesencéfalo ventral e a formação reticular são end arteries sem colaterais eficientes. Aneurismas do topo da basilar correspondem a ~10% dos aneurismas intracranianos e têm morfologia complexa pela proximidade com o mesencéfalo e o tálamo [7].
Função: Ponto de bifurcação da circulação vertebrobasilar em território posterior; ramos perfurantes irrigam o mesencéfalo ventral, a formação reticular e os corpos geniculados.
A angio-TC (CTA) com colimação de 0,5–0,625 mm isotropic é o método de escolha na emergência para avaliação do polígono, especialmente em hemorragia subaracnóidea (HSA), AVC agudo e suspeita de aneurisma [1,5]. Permite reconstruções MIP, VRT e curved-MPR com alta resolução espacial (~0,4 mm). Sensibilidade >95% para aneurismas ≥ 2 mm. A TC sem contraste precedendo a CTA permite identificar hiperdensidade espontânea do LCR basal (HSA) e trombo intra-arterial [1].
A angio-RM por tempo de voo (TOF) 3D é o método não invasivo padrão para avaliação do polígono, sem necessidade de contraste ou radiação [1,5]. As artérias aparecem como estruturas de alto sinal ('bright blood') pelo fenômeno de saturação do background com realce do fluxo entrante. Reconstruções MIP axiais e coronais permitem avaliação global da anatomia vascular [4]. A angio-RM com contraste (CE-MRA) com gadolínio oferece menor dependência de velocidade de fluxo, reduzindo falsos positivos por fluxo lento, turbulento ou vasos muito pequenos [1].
—Resolução espacial efetiva: ~0,5–0,7 mm isotropic no TOF 3D de 3,0 T.
3D — Modelo 3D Interativo do Polígono de Willis — Rotacione, dê zoom e explore as ramificações arteriais.