TóraxAvançado

Interstício Pulmonar e Lóbulo Pulmonar Secundário

TCAR — Compartimentos Intersticiais e a Unidade de Miller

O interstício pulmonar é o esqueleto de suporte do parênquima, estendendo-se dos feixes broncovasculares à pleura visceral. O lóbulo pulmonar secundário (unidade de Miller) é a menor unidade delimitada por septos visíveis em TCAR — sua anatomia é a chave de leitura para classificar doenças pulmonares difusas.

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Localização Topográfica

Compartimento de suporte do parênquima pulmonar, estendendo-se dos feixes broncovasculares centrais até a pleura visceral. O lóbulo pulmonar secundário (unidade de Miller) é a menor unidade anatômica delimitada por septos conjuntivos visíveis em TCAR.

Dimensões: Lóbulo pulmonar secundário: 1,0–2,5 cm de diâmetro (poliedro irregular).
Septos interlobulares normais: <1 mm (imperceptíveis em TCAR normal).
Arteríola centrolobular: 0,5–1,0 mm.

Interstício Peribroncovascular (Axial)

Bainha conjuntiva que acompanha os feixes broncovasculares do hilo até os bronquíolos distais. Em TC, seu espessamento manifesta-se como densificação peribrônquica ou da bainha vascular central.

Função: Suporte mecânico das vias aéreas centrais e vasos hilares. Contém arteríola, linfáticos e bronquíolos. Espessamento nodular aqui ('contas de rosário') aponta para linfangite carcinomatosa ou sarcoidose; espessamento liso indica edema.

Interstício Centrolobular

Extensão distal do interstício axial, no centro do lóbulo secundário. Visível patologicamente como ponto/nódulo centrolobular isolado, afastado da pleura e das fissuras.

Função: Contém a arteríola centrolobular e o bronquíolo terminal. Alterações aqui (micronódulo centrolobular, árvore em brotamento, vidro fosco centrolobular) apontam para bronquiolite, aspiração ou hipersensibilidade.

Interstício Intralobular

Rede de fibras dentro do lóbulo, entre o centro e a periferia. Invisível em TC normal — se visível, é patologia.

Função: Espessamento produz reticulação intralobular fina — sinal cardinal de fibrose (PIU, PINE). Reticulação + faveolamento = padrão PIU.

Interstício Interlobular (Septos Interlobulares)

Septos fibrosos que delimitam os lóbulos entre si. Em TC normal são invisíveis ou minimamente visíveis na periferia. Correspondem às Linhas B de Kerley no RX.

Função: Contém veias pulmonares e linfáticos. Espessamento LISO → congestão (bilateral, simétrico). Espessamento NODULAR → linfangite, sarcoidose, silicose. Esta distinção muda a conduta no plantão.

Interstício Subpleural

Camada mais periférica, imediatamente abaixo da pleura visceral. Contém veias e linfáticos subpleurais.

Função: Região predileta do faveolamento (sinal mais específico de fibrose avançada) e do acometimento perilinfático. O 'subpleural sparing' (poupamento subpleural) é a cereja do bolo da PINE.

Tomografia

Em TCAR (janela pulmonar, WL -600 HU / WW 1500 HU, espessura ≤1mm), o interstício normal é invisível. A simples identificação de qualquer componente intersticial já indica patologia.

  • Septos interlobulares normais imperceptíveis: se visíveis = espessamento patológico
  • Espessamento septal LISO → edema/congestão; NODULAR → linfangite/sarcoidose
  • Nódulo centrolobular sem tocar pleura/fissura → bronquiolite, aspiração, hipersensibilidade
  • Árvore em brotamento (tree-in-bud) → bronquiolite exsudativa (TB, aspiração)
  • Reticulação intralobular → fibrose (PIU, PINE)
  • Faveolamento subpleural basal → PIU confirmada

Radiografia

Demonstra o padrão intersticial de forma global e inespecífica. Linhas de Kerley A (centrais, longas, oblíquas) e B (periféricas, 1–2cm, horizontais nas bases) representam espessamento septal.

  • Linhas B de Kerley: septos interlobulares espessados nas bases
  • Padrão reticular difuso de distribuição variável
  • Vidro fosco: indistinguível entre intersticial ou alveolar ao RX
  • A distribuição do padrão intersticial em TCAR (centrolobular, perilinfático ou randômico) é o primeiro passo para categorizar doenças pulmonares difusas — ponto de partida obrigatório em qualquer TCAR de DPI.
  • Distinguir espessamento septal liso (edema) de nodular (linfangite/sarcoidose) muda radicalmente a conduta no plantão.
  1. 1REGRA DOS 3 COMPARTIMENTOS: CENTROLOBULAR (não toca pleura/fissura) → bronquiolite, hipersensibilidade, aspiração; PERILINFÁTICO (toca pleura/fissura/vasos) → sarcoidose, silicose, linfangite; RANDÔMICO (sem padrão) → TB miliar, metástases hematogênicas.
  2. 2O lóbulo pulmonar secundário é a chave de leitura da TCAR: CENTRO = bronquíolo + arteríola; PERIFERIA = veias + linfáticos.
  3. 3Faveolamento subpleural basal = fibrose estabelecida (PIU). Reticulação sem faveolamento = Provável PIU ou PINE.
Diagrama do lóbulo pulmonar secundário (unidade de Miller). Arteríola centrolobular e bronquíolo terminal no centro; septos interlobulares com veias pulmonares e linfáticos na periferia. Case courtesy of Dr. Frank Gaillard, Radiopaedia.org, rID: 8807.
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Ilustração AnatômicaDiagrama do lóbulo pulmonar secundário (unidade de Miller). Arteríola centrolobular e bronquíolo terminal no centro; septos interlobulares com veias pulmonares e linfáticos na periferia. Case courtesy of Dr. Frank Gaillard, Radiopaedia.org, rID: 8807.