Divertículo Faringoesofágico de Zenker

Também conhecida como: Divertículo de Zenker, Divertículo faringoesofágico, Divertículo de pulsão hipofaríngeo, Divertículo do triângulo de Killian

Doença / SíndromeCID-10: K22.5 0 VIEWS

O divertículo de Zenker é uma herniação mucosa e submucosa da parede posterior da hipofaringe através de uma área de fraqueza muscular conhecida como triângulo de Killian — um locus minoris resistentiae localizado entre as fibras oblíquas do músculo constritor inferior da faringe e as fibras horizontais do músculo cricofaríngeo (porção superior do esfíncter esofágico superior, EES) [1]. Trata-se de um pseudodivertículo (falso divertículo) de pulsão, pois não contém todas as camadas da parede esofágica — a protrusão envolve apenas mucosa e submucosa através do defeito muscular, sem componente muscular próprio [2]. A apresentação clínica clássica inclui a tríade de disfagia cervical progressiva, regurgitação de alimentos não digeridos (às vezes horas após a refeição) e halitose; em divertículos volumosos, pode haver uma massa cervical visível e palpável à esquerda, que aumenta de volume durante a alimentação e pode ser reduzida manualmente com borborigmo [1,3]. O padrão-ouro para o diagnóstico é o esofagograma baritado (videofluoroscopia), que demonstra o saco diverticular com preenchimento de bário e evidencia a disfunção do EES subjacente [1,3,4]. O tratamento definitivo é cirúrgico ou endoscópico (miotomia do cricofaríngeo), com excelentes taxas de sucesso e baixa morbimortalidade em centros experientes.

Fisiopatologia

A fisiopatologia baseia-se em dois mecanismos principais e interdependentes: hipertonia ou incoordenaçãoda contração do músculo cricofaríngeo (EES) e o consequente aumento da pressão intraluminal hipofaríngea [1,2]. Durante a deglutição, a faringe contrai-se enquanto o EES deveria relaxar para permitir a passagem do bolo alimentar; quando há falha desse relaxamento (achalasiase parcial do cricofaríngeo), ocorre resistência aumentada ao fluxo e aumento da pressão intraluminal, que pode atingir valores superiores a 200 mmHg na hipofaringe posterior [2,5]. A pressão crônica e repetitiva é exercida sobre o triângulo de Killian, a área naturalmente hipotrófica entre os dois ventres musculares (constritor inferior e cricofaríngeo), onde a cobertura muscular é mínima ou inexistente. Com o tempo, a mucosa e submucosa herniiam progressivamente através desse defeito, formando um saco que tende a crescer inferiormente e para a esquerda (em ~90% dos casos) pelo menor suporte fascial nessa direção [1,3]. Histologicamente, o saco é revestido por epitélio escamoso estratificado normal com submucosa espessada e, eventualmente, inflamação crônica e fibrose [2].

Epidemiologia

Patologia essencialmente do adulto idoso. A incidência estimada é de 2 por 100.000 habitantes/ano na população ocidental [1,3]. A prevalência aumenta exponencialmente com a idade: rara antes dos 40 anos, com pico de incidência entre a 7ª e 8ª décadas de vida [1]. Predominância masculina com razão H:M de aproximadamente 3:1 [1,3]. Mais comum em populações de ascendência norte-europeia e caucasiana. Representa ~70% de todos os divertículos esofágicos. A associação com doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e com dismotilidade esofágica é descrita, embora a relação causal ainda seja debatida [5].

Modalidade: CT

A tomografia computadorizada não é o método de escolha para o diagnóstico primário do divertículo de Zenker, porém é frequentemente solicitada em investigação de disfagia ou como método de estadiamento pré-operatório, e o achado pode ser incidental em TC cervical ou torácica realizada por outras indicações [1,6]. A TC com contraste oral e/ou endovenoso demonstra o saco diverticular, sua relação com estruturas adjacentes e permite identificar complicações locais (fistulização, abscesso perifaríngeo, pneumonia aspirativa). É especialmente útil no planejamento cirúrgico de divertículos volumosos com extensão mediastinal [6].

Sinais Patognomônicos / Chave

  • Sinal do 'saco aéreo retroesofágico': coleção aérea ou de nível hidroaéreo na região retroesofágica cervical, entre o esôfago e a coluna cervical, levemente à esquerda da linha média [1,6]
  • Sinal do 'pseudomassa cervical posterior': estrutura de paredes finas contendo ar, fluido ou conteúdo heterogêneo (debris alimentares), sem realce mural significativo após contraste endovenoso [6]
  • TC cervical sem contraste: estrutura cística ou com nível hidroaéreo na região retrofaríngea/retroesofágica, entre C5 e T1, com parede muito fina (<2 mm) e conteúdo variável (ar puro, nível hidroaéreo, conteúdo denso por retenção alimentar) [1,6]
  • TC com contraste EV: as paredes do saco diverticular não realçam ou mostram realce mínimo e homogêneo — realce mural espessado, irregular ou com componente sólido deve levantar suspeita de complicação (diverticulite, carcinoma in situ) [6,7]
  • Reformatações sagitais e coronais: essenciais para demonstrar a extensão craniocaudal do divertículo, sua relação com a cartilagem cricóidea e tireóidea, e a posição do colo diverticular em relação ao EES [6]
  • Achado incidental: em TC solicitada por outras indicações, o reconhecimento do divertículo é baseado na identificação de bolsa aérea ou com nível hidroaéreo posterior ao esôfago cervical — não confundir com corpo estranho impactado, abscesso retrofaríngeo ou adenopatia necrótica [1,6]
  • TC torácica: em divertículos Grau III, extensão para o mediastino posterior superior; pode haver compressão e desvio anterior do esôfago torácico; pneumomediastino e/ou derrame pleural indicam perfuração (emergência) [6]
Modalidade: RM

A ressonância magnética tem papel limitado e não é utilizada na rotina diagnóstica do divertículo de Zenker. Pode ser empregada em situações específicas de planejamento cirúrgico de divertículos atípicos ou volumosos, na investigação de complicações (fistulização para estruturas vizinhas) ou quando há suspeita de transformação maligna [7]. As sequências T2 em plano sagital e coronal demonstram o saco diverticular como estrutura de hipersinal (conteúdo líquido ou mucoso), com paredes finas de baixo sinal.

Sinais Patognomônicos / Chave

  • Saco de hipersinal em T2: coleção de alta intensidade em T2 e STIR na região retroesofágica, correspondente ao conteúdo mucoso/líquido do divertículo [7]
  • Ausência de restrição à difusão (DWI/ADC): o conteúdo diverticular não restringe — restrição focal na parede ou conteúdo do saco é sinal de alerta para transformação maligna ou abscesso [7]
  • T1: saco diverticular hipointenso quando o conteúdo é líquido; pode ser hiperintenso em T1 se houver retenção de conteúdo proteico espesso ou hemorrágico [7]
  • T2/STIR: hipersinal marcado do conteúdo; paredes finas de baixo sinal; planos de clivagem preservados com estruturas adjacentes (artérias carótidas, tireoide, coluna cervical) [7]
  • DWI: ausência de restrição no conteúdo diverticular normal; restrição periférica ou mural deve levantar suspeita de carcinoma espinocelular intraluminal (raro, mas descrito) [7]
  • Sequências dinâmicas (cine-RM): em centros de referência, cine-RM da deglutição pode demonstrar a dinâmica do preenchimento e esvaziamento do saco, bem como a disfunção do cricofaríngeo — ainda experimental, mas promissora para avaliação funcional [7]
Modalidade: RX

A radiografia simples do pescoço em perfil pode fornecer pistas diagnósticas importantes, especialmente em divertículos volumosos. O esofagograma baritado (deglutograma ou videofluoroscopia) é o método diagnóstico de eleição, permitindo avaliação dinâmica da deglutição, da morfologia do saco diverticular, da competência do EES e da presença de complicações como retenção alimentar e aspiração [1,3,4]. O exame deve ser realizado com bário de consistência variada (líquido, pastoso e sólido) para avaliação funcional completa.

Sinais Patognomônicos / Chave

  • Sinal do 'beak' (bico): estreitamento em forma de bico na transição faringoesofágica, representando a protuberância hipertônica do cricofaríngeo — sinal precoce de disfunção do EES mesmo antes do divertículo se formar plenamente [1]
  • Sinal da 'impressão cricofaríngea': indentação posterior na parede posterior do esôfago cervical ao nível de C5-C6, correspondente à hipertrofia ou incoordinação do músculo cricofaríngeo [3]
  • Saco diverticular de bário: coleção de contraste projetando-se posteriormente e à esquerda da linha média, com colo estreito no nível do triângulo de Killian [1,4]
  • Esofagograma baritado — fase lateral: visualização ótima do saco diverticular como bolsa de bário com colo estreito entre as fibras do constritor inferior e do cricofaríngeo; o saco desce posteriormente ao esôfago cervical, desviando-o anteriormente em divertículos volumosos [1,3]
  • Classificação pelo tamanho no esofagograma (sistema de Morton e Bartley): Grau I — divertículo pequeno em espinha (apenas mucosa herniada, <2 cm); Grau II — divertículo médio que desce abaixo do cricofaríngeo (2–4 cm); Grau III — divertículo volumoso que se projeta inferiormente no mediastino posterior (>4 cm) [3,4]
  • Retenção de bário: em divertículos Grau II e III, o contraste permanece retido no saco após o esvaziamento faringoesofágico normal, frequentemente com nível hidroaéreo; partículas alimentares podem ser vistas em suspensão no interior do saco [1]
  • Videofluoroscopia: avaliação dinâmica revela o refluxo do conteúdo diverticular para a faringe no início da próxima deglutição ('regurgitação faringoesofágica'); em casos graves, aspiração laringotraqueal pode ser documentada [3]
  • Radiografia simples do pescoço em perfil: nível hidroaéreo retrofaríngeo ou retroesofágico pode ser visível em divertículos volumosos com retenção de conteúdo; massa de tecidos moles posterior ao esôfago cervical [1]

Divertículo de Killian-Jamieson

Como diferenciar:Localiza-se anterolateral ao esôfago cervical, emergindo abaixo do cricofaríngeo (inferior ao triângulo de Killian), tipicamente à esquerda [1,3]. No esofagograma, o colo do divertículo está ABAIXO da barra cricofaríngea, e o saco projeta-se para frente e lateralmente — em contraste com o Zenker, que emerge ACIMA da inserção do cricofaríngeo e projeta-se POSTERIORMENTE. Na TC, o Killian-Jamieson situa-se anterolateral ao esôfago, não posterolateral. Geralmente menor e de descoberta incidental [1].

Divertículo esofágico por tração (mediotorácico)

Como diferenciar:Localização mediotorácica (nível de T4-T5, ao nível da carina), frequentemente associada a linfonodomegalia mediastinal fibrocálcica (sequela de tuberculose ou histoplasmose) [1,3]. No esofagograma, o saco projeta-se lateralmente com colo LARGO e base larga (não estreita como no Zenker), com morfologia triangular ou conal — é um divertículo verdadeiro (contém todas as camadas) por tração, não de pulsão. Raramente causa disfagia e não há hipertonia do cricofaríngeo associada. Na TC, linfonodos calcificados adjacentes ao colo do saco orientam o diagnóstico [1].

Abscesso retrofaríngeo

Como diferenciar:Clinicamente há síndrome infecciosa com febre, odinofagia e rigidez cervical — ausente no divertículo de Zenker isolado [6]. Na TC com contraste, o abscesso apresenta realce periférico em anel ('ring enhancement') com centro hipodenso (necrose/pus), espessamento das paredes do espaço retrofaríngeo e edema dos tecidos moles adjacentes. O divertículo de Zenker NÃO realça em anel e não tem espessamento inflamatório dos tecidos moles perissaco na ausência de complicação. Na radiografia lateral, o abscesso produz alargamento difuso do espaço retrofaríngeo (>7 mm em adultos em C2), enquanto o Zenker é uma bolsa circunscrita [6].

Corpo estranho impactado retrofaríngeo

Como diferenciar:História clínica de engasgo súbito com corpo estranho é característica. Na TC, o corpo estranho é hiperdenso (osso, espinha de peixe) ou identificável como estrutura de densidade heterogênea; pode haver pneumomediastino se houver perfuração. A ausência de colo diverticular definido e a ausência de disfunção prévia do cricofaríngeo diferenciam do Zenker. Esofagograma com contraste hidrossolúvel (nunca bário em suspeita de perfuração) demonstra o ponto de impactação e eventuais extravasamentos [3].

Carcinoma de hipofaringe / esôfago cervical

Como diferenciar:No esofagograma, o carcinoma produz defeito de enchimento irregular, rígido, com 'shouldering' (angulação abrupta das margens superiores e inferiores da lesão), enquanto o Zenker é uma bolsa de paredes lisas e regulares, sem rigidez [1,7]. Na TC com contraste, a neoplasia apresenta espessamento mural irregular e assimétrico com realce heterogêneo, adenopatias regionais e, frequentemente, extensão extramural.
Importante: carcinoma espinocelular pode desenvolver-se no interior do saco de Zenker (raro, ~0,4–1,5%), e nesse caso a TC mostrará nódulo ou espessamento mural intraluminal com realce — toda irregularidade intraluminal em saco diverticular deve ser biopsiada [7].

Cisto brânquio da 3ª ou 4ª fenda brânquica

Como diferenciar:Tipicamente em adultos jovens (2ª–3ª décadas), apresenta-se como massa cervical lateral de evolução lenta, não relacionada à deglutição [6]. Na TC, é lesão cística de paredes finas com coeficiente de atenuação de 0–20 UH (conteúdo aquoso) ou mais denso se infectado; localização lateral ao eixo faringoesofágico, medial ao músculo esternocleidomastóideo. O divertículo de Zenker é posterior e paramediano, com comunicação demonstrável com a luz hipofaríngea no esofagograma — os cistos branquiais NÃO se comunicam com a faringe (exceto em fístula) [6].

Manejo Clínico (Alto Nível)

O tratamento do divertículo de Zenker sintomático é sempre intervencionista — não existe terapia clínica definitiva [1,3,4]. A escolha entre abordagem endoscópica ou cirúrgica aberta baseia-se no tamanho do divertículo, anatomia do pescoço, comorbidades do paciente e experiência do centro. A miotomia do cricofaríngeo é o princípio fundamental de qualquer abordagem, pois trata a causa fisiopatológica subjacente — sem ela, a taxa de recorrência é elevada [1,5]. Endoscopia rígida ou flexível com diverticulotomia: método de escolha em divertículos Grau II e III (saco bem desenvolvido, ≥3 cm). Realiza-se secção da parede comum entre o saco e o esôfago (a 'barra cricofaríngea') por eletrocauterização, grampeamento (stapler), CO₂ laser, radiofrequência ou argônio plasma. Taxa de sucesso ~90%, com baixa morbimortalidade e alta hospitalar em 24–48 h. Pode ser repetida em caso de recorrência [4,5]. Miotomia cirúrgica aberta (abordagem cervical esquerda): padrão histórico, indicado em divertículos pequenos (Grau I, saco insuficiente para endoscopia), falha da abordagem endoscópica, anatomia cervical desfavorável e suspeita de malignidade intraluminal. Inclui ressecção ou inversão (diverticulopexia) do saco associada à miotomia cricofaríngea. Taxa de cura ~95%, com mortalidade <1% em centros especializados [1,3].
Dieta e suporte nutricional pré-operatório: em pacientes com desnutrição significativa ou aspiração ativa, nutrição enteral por sonda ou parenteral pré-operatória é recomendada para otimização clínica [3].

Dicas Cruciais pro Laudo

  • 1NUNCA realize endoscopia digestiva alta ou passe sonda nasoenteral em paciente com divertículo de Zenker conhecido sem alertar o endoscopista/equipe — o risco de perfuração iatrogênica é alto; o orifício diverticular pode ser intubado em vez do esôfago, com consequências graves [1,6]
  • 2No laudo do esofagograma, descreva SEMPRE: (1) localização do colo (nível vertebral), (2) dimensão máxima do saco, (3) lateralidade (quase sempre à esquerda), (4) presença de retenção de contraste/debris, (5) evidência de aspiração laringotraqueal durante o estudo e (6) grau morfológico (Morton I/II/III) — essas informações direcionam a conduta [3,4]
  • 3O achado incidental de bolsa aérea ou com nível hidroaéreo retroesofágico na TC cervical ou torácica, mesmo em paciente assintomático, merece descrição explícita no laudo e sugestão de correlação com esofagograma — divertículos assintomáticos podem descompensar rapidamente [6]
  • 4Em TC solicitada por 'disfagia a esclarecer', pesquise ativamente na região retroesofágica cervical — o divertículo pode não ser percebido se o radiologista não incluir essa região na avaliação sistemática; reformatações sagitais e coronais são obrigatórias [6]
  • 5Ao identificar espessamento mural focal, nódulo intraluminal ou realce irregular dentro do saco diverticular na TC, levante a hipótese de carcinoma espinocelular intraluminal — complicação rara mas real, que muda completamente o manejo [7]
  • 6Diferencie a 'barra cricofaríngea' (indentação posterior no esofagograma sem saco formado) do divertículo estabelecido — a barra isolada indica disfunção do EES e pode ser tratada com dilatação endoscópica, toxina botulínica ou miotomia isolada sem ressecção [1,5]
  • 7Inclua no laudo, quando positivo, a presença de aspiração laringotraqueal documentada durante a videofluoroscopia — este achado é clinicamente crítico e impacta diretamente na urgência do tratamento e no manejo perioperatório da via aérea [3]
  • [1]1. Lerut T, Van Raemdonck D, Guelinckx P, Dom R, Geboes K. Zenker's diverticulum: is a myotomy of the cricopharyngeus the only valid option? Ann Thorac Surg. 1992;54(2):265–269.
  • [2]2. Cook IJ, Blumbergs P, Cash K, Jamieson GG, Shearman DJ. Structural abnormalities of the cricopharyngeus muscle in patients with pharyngeal (Zenker's) diverticulum. J Gastroenterol Hepatol. 1992;7(6):556–562.
  • [3]3. Rubesin SE, Levine MS. Radiologic diagnosis of gastrointestinal motility disorders. In: Gore RM, Levine MS (eds). Textbook of Gastrointestinal Radiology. 4th ed. Philadelphia: Elsevier Saunders; 2015:chap 18.
  • [4]4. Bonavina L, Bona D, Abraham M, Saino G, Abate E. Long-term results of endosurgical and open surgical approach for Zenker diverticulum. World J Gastroenterol. 2007;13(18):2586–2589.
  • [5]5. Veenker E, Cohen JI. Current trends in management of Zenker's diverticulum. Curr Opin Otolaryngol Head Neck Surg. 2003;11(3):160–165.
  • [6]6. Levine MS, Rubesin SE, Laufer I. Pattern approach for diseases of the pharynx and esophagus. Radiology. 2008;246(3):697–718.
  • [7]7. Predescu D, Predescu I, Costache A, et al. Carcinoma in Zenker's diverticulum: report of two cases and review of the literature. Chirurgia (Bucur). 2013;108(5):726–731.

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Radiografia 1 de 3

Esofagograma baritado em incidência lateral esquerda demonstrando divertículo de Zenker de grande volume (Grau III, Morton). Observar saco diverticular de contornos regulares e paredes finas, preenchido por bário denso, projetando-se posteriormente e à esquerda da linha média, com extensão inferior ao nível de C7-T1. O colo diverticular estreito (seta branca) é identificável ao nível do triângulo de Killian, entre as fibras do constritor inferior e o músculo cricofaríngeo. O esôfago cervical (EC) encontra-se desviado anteriormente pela massa diverticular, com estreitamento luminal relativo. Nível de debris alimentares heterogêneos em suspensão no interior do saco. A 'barra cricofaríngea' (indentação posterior no terço superior do EC) é visível acima do colo, confirmando a hipertonia do esfíncter esofágico superior [1,3,4].

Atenção Especial

Principais Complicações

  • Aspiração broncopulmonar e pneumonia aspirativa recorrente — principal causa de morbimortalidade; pode evoluir para abscesso pulmonar e sepse respiratória [3]
  • Perfuração diverticular espontânea ou iatrogênica — risco aumentado durante passagem de sonda nasoenteral, endoscopia digestiva alta ou intubação orotraqueal; resulta em abscesso cervical profundo, mediastinite ou pneumomediastino [1,6]
  • Carcinoma espinocelular intraluminal — transformação maligna rara (~0,4–1,5% dos casos); fatores de risco: longa duração do divertículo, inflamação crônica, tabagismo; manifestação: piora súbita da disfagia, hemoptise ou perda de peso acelerada [7]
  • Compressão laringotraqueal extrínseca — em divertículos muito volumosos, podendo causar dispneia, estridor e rouquidão por compressão do nervo laríngeo recorrente [3]
  • Obstrução esofágica completa — por impactação de bolo alimentar no saco diverticular, especialmente após refeições volumosas [1]
  • Hemorragia diverticular — rara; secundária a úlcera ou erosão da mucosa por retenção alimentar crônica ou corpo estranho [7]

Sempre Avaliar (Associações)

  • Hipertonia ou incoordinação do esfíncter esofágico superior (cricofaríngeo) — presente em virtualmente todos os casos; pode ser demonstrada manometricamente [1,5]
  • Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) — associação em ~30–40% dos pacientes; o refluxo ácido crônico pode induzir hipertonia reflexa do cricofaríngeo como mecanismo protetor, predispondo ao divertículo [5]
  • Dismotilidade esofágica — achado em ~25% dos pacientes; acalasia, espasmo esofágico difuso e motilidade ineficaz são descritos em associação [5]
  • Aspiração broncopulmonar crônica — documentada em videofluoroscopia em até 30% dos casos com divertículos Grau II/III; pode se manifestar como pneumonia aspirativa recorrente ou bronquiectasias de base [3]
  • Desnutrição e perda de peso — consequência da disfagia progressiva em casos avançados, especialmente em idosos [3]
  • Hálito fétido (halitose) — por decomposição de resíduos alimentares retidos no saco diverticular [1]