Também conhecida como: CDIS, DCIS, Ductal Carcinoma In Situ, Carcinoma Intraductal, Carcinoma Não Invasivo da Mama
Proliferação maligna de células epiteliais ductais confinada à membrana basal, sem invasão do estroma adjacente. Representa 20–25% de todos os carcinomas mamários diagnosticados na era do rastreamento mamográfico [1]. A maioria é assintomática e detectada exclusivamente por imagem — em especial pela presença de microcalcificações agrupadas na mamografia. O tratamento cirúrgico adequado é curativo em >98% dos casos, tornando o diagnóstico precoce crítico para evitar progressão para carcinoma invasivo [2].
As células neoplásicas proliferam dentro dos ductos lactíferos sem romper a membrana basal. A necrose central das células de alto grau leva à calcificação distrófica do material necrótico intraluminal — originando as microcalcificações pleomórficas e em molde de ducto (cast-type) visíveis na mamografia.
—Subtipos histológicos: comedo (alto grau, necrose central extensa, pior prognóstico), cribriforme, micropapilar, papilar e sólido [1,2].
Predominantemente feminino (>99%). Pico de incidência entre 50–70 anos, coincidindo com a faixa de rastreamento mamográfico ativo. Risco aumentado por história familiar de câncer de mama, mutações BRCA1/2, nuliparidade e uso de terapia hormonal [2].
RM de mama com gadolínio é a modalidade de maior sensibilidade para CDIS (85–95%), especialmente para extensão da doença e detecção de multifocalidade/multicentricidade não visível na mamografia. Indicada para planejamento pré-cirúrgico em casos selecionados [2,4].
Sinais Patognomônicos / Chave
Ultrassonografia tem papel complementar. Frequentemente normal no CDIS puro sem componente invasivo. Útil para guiar biópsia e avaliar linfonodos axilares.
—Sensibilidade para CDIS isolado: ~20–30% [3].
Sinais Patognomônicos / Chave
É a modalidade primária e mais sensível para detecção do CDIS. Em 70–80% dos casos, o achado exclusivo são microcalcificações — sua morfologia e distribuição são os principais determinantes da suspeição [1].
Sinais Patognomônicos / Chave
Como diferenciar:Produz microcalcificações agrupadas redondas e amorfas, tipicamente bilaterais e simétricas. Na RM, realce não-nodular difuso com cinética benigna (tipo 1, progressivo).
—Biópsia: a arquitetura lobular está preservada e não há atipia nuclear. CDIS comedo tem calcificações lineares ramificadas e assimetria unilateral — distinção morfológica na mamografia é o primeiro passo.
Como diferenciar:CLIS raramente produz calcificações visíveis na mamografia — quando presentes, são incidentais. Na RM, pode ser oculto. O CDIS tipicamente exibe calcificações pleomórficas ou lineares ramificadas segmentares. A diferenciação definitiva é histológica (células em solta no CLIS vs. coesão e polaridade no CDIS).
Como diferenciar:CDI puro forma nódulo hipoecogênico com margens anguladas no US e massa espiculada na mamografia, com realce nodular na RM. O CDIS puro raramente forma massa; quando há nódulo associado às calcificações, suspeitar de componente invasivo. Na RM, realce nodular tipo massa com washout sugere invasão; realce não-nodular segmentar aponta para CDIS puro.
Como diferenciar:Papiloma produz ducto dilatado com nódulo intraluminal ao US — distinto da área heterogênea sem massa do CDIS. Calcificações do papiloma tendem a ser grosseiras e centradas em ducto único dilatado.
—CDIS micropapilar pode mimetizar: biópsia a vácuo guiada por estereotaxia é necessária para distinção definitiva.
Como diferenciar:Necrose gordurosa tem histórico de trauma ou cirurgia prévia. As calcificações são grosseiras, em casca de ovo ou amorfas irregulares, centralmente lucentes. Na mamografia, área de densidade mista com componente gorduroso central é típica. CDIS não tem componente gorduroso e as calcificações são pleomórficas finas sem centro lucente.
Biópsia percutânea guiada por estereotaxia (microcalcificações) ou US (quando visível) com agulha de vácuo 9–11G — padrão ouro para diagnóstico histológico [2].
—Tratamento: cirurgia conservadora (lumpectomia) com margens ≥2mm + radioterapia adjuvante para a maioria dos casos. Mastectomia indicada em CDIS extenso (>4cm), multicentricidade, margens persistentemente positivas ou mutação BRCA.
—Linfonodo sentinela: não indicado de rotina no CDIS puro; considerar em casos extensos com suspeita de microinvasão. Tamoxifeno reduz risco de recorrência em tumores RE+ [2].

Mamografia com magnificação. A anatomia da unidade ductal lobular terminal é demonstrada nesta visão focada, com o lóbulo e os ácinos preenchidos por calcificações grosseiras e heterogêneas (seta grande) e o ducto terminal preenchido por formas lineares ramificadas de calcificações (seta pequena). Aspecto clássico do Carcinoma Ductal In Situ tipo comedo, BI-RADS 5.